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domingo, 15 de novembro de 2015

É tempo de desobedecer










O povo chapadinhense e principalmente os servidores públicos precisam mostrar resistência contra esse governo que não valoriza seus trabalhadores. Milhares de servidores efetivos e contratados vem sofrendo perseguições, cortes injustificados em seus salários, famílias terão que reorganizar suas vidas sem terem sido ouvidas em nenhum momento.


Um governo que não ouve o povo, que não faz uma proposta de melhorias para os servidores. Fazê-lo significaria de algum modo conceder razoabilidade ao que é absolutamente ilegítimo. Obscureceria o aspecto crucial do conflito, que é a tensão entre moral e Direito ou moral e política.

A questão moral pode ser sinteticamente expressada com uma frase que retiro da poesia de um clássico da música brasileira: gado a gente marca, tange, ferra, engorda e mata, mas com gente é diferente.

Uma governante que decidiu que tem o direito de alterar significativamente a vida de milhares de famílias. Pensa que o seu mandato lhe dá o poder de tratar as pessoas como gado. Pensa que o seu mandato lhe permite dispor da existência de seres humanos de acordo com seu arbítrio.


A resistência dos povo de Chapadinha insere-se no seio de uma tradição milenar. Aquela que, desde Sócrates, diz que a imoralidade não obriga. Já condenado, perguntaram-lhe se se arrependia da conduta que o levava à morte: "você está errado se pensa que um homem vale alguma coisa gastando seu tempo ao pensar sobre as chances de vida e morte; ele deve considerar somente uma coisa, se está agindo certo ou errado, como um homem bom ou não" (Críton).







Preso por desobedecer leis segregacionistas, Martin Luther King escreveu a célebre Carta da Prisão de Birmingham: 



"um indivíduo tem a responsabilidade moral de desobedecer leis injustas (...) Qualquer lei que eleve a individualidade humana é justa, qualquer lei que a degrade é injusta. Uma lei injusta é um código que um grupo, majoritário, força uma minoria a obedecer, sem que alguém seja responsabilizado (...) um indivíduo que viola uma lei injusta deve fazê-lo abertamente, amorosamente e disposto a aceitar as penalidades. Um indivíduo que desobedece uma lei que sua consciência diz ser injusta, e que prontamente aceita a pena de prisão para estimular a consciência de uma comunidade frente às injustiças que ela comete, está na realidade expressando o maior respeito possível pela lei".



Na Índia colonizada era proibido extrair sal. Garantia-se assim o monopólio comercial da Inglaterra. Gandhi, em 1930, empreendeu uma marcha de 400 km até o litoral para extrair um punhado de sal.



Thoreau foi preso por não pagar impostos a um governo escravocrata e que naquele momento promovia uma guerra injusta contra o México.




São paradigmas da desobediência civil. Espécie do gênero direito de resistência, o direito inalienável que todo homem tem de não se submeter à tirania e à opressão. O direito de não obedecer ao mal social.





Até quando sonharemos com uma decisão judiciais para resolver o que nós mesmos, com luta social e sindical podemos resolver? 



Uma que dissesse, em síntese, que os seres humanos têm dignidade, não podem ser tratados como coisas e movidos de um lado para o outro como os móveis de uma casa ou como animais desprovidos de razão e sensibilidade, e que sequer são ouvidos sobre o seu próprio destino? Que tivesse a coragem de dizer que a dignidade humana é fundamento da República e, isto posto, denega-se a reintegração dos seus direitos, publique-se, registre-se, intime-se?



Seria preciso, antes de mais nada, escapar das sombras da caverna. As sombras constituídas pelas convenções sociais, pelos mitos do senso comum, pela aceitação de noções que jamais são submetidas à razão.






Por exemplo, as noções de "ordem" e "desordem". É sempre desordem Trabalhadores ocuparem prédios públicos, não importa a motivação. Não é desordem o governo transtornar a vida de milhares de famílias e importa sempre a motivação do governo - apenas porque é governo. É mais um exemplo de banalidade do mal. O mal é sempre raso e superficial. O justo e o bem exigem pensar radicalmente, ou seja, usar a razão para ir às raízes das coisas, alcançar consequências e efeitos, compreender a sociedade para além das ideias fossilizadas do cotidiano.




Nesta noite escura que vive a sociedade brasileira, com o fascismo, o ódio e a intolerância assombrando nossos dias, busquemos em nós coragem para lutar pelos nossos direitos negados a cada dia. Não vamos mais nos submeter. Nos recusemos a ser gado. Vamos deslegitimar essas estruturas de mando do governo municipal. E assim não importa o que aconteça, a vitória será nossa.




Que nossas ações sirvam de luz para a base governista fossilizada que se enclausurou na Câmara Municipal de Chapadinha e abrigou-se nas velhas estruturas de poder. E aqueles que esqueceram que para transformar é preciso desobedecer.



Sou Jane Andrade, professora, atualmente estou presidente do SINDCHAP - Servidores Públicos Municipais de Chapadinha. Mas sem você, nem eu e nem diretoria do SINDCHAP conseguiremos mudar a nossa dura realidade.


A força do SINDCHAP não é a presidência ou sua diretoria é cada um de vocês, sócios, parceiros, população em geral que ainda se indigna cada vez que uma injustiça é cometida.


 É tempo de desobedecer!





























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