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sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Concurso: a Vitória de Quem Perde e a Derrota de Quem Ganha





 





Por: Alexandre Pinheiro



Ambiguidade, no apropriado sentido de algo poder ser a um só tempo nojento e digno, é o termo em que se pode resumir o ocorrido ontem na Câmara Municipal de Chapadinha. Se o papel dos vereadores de Belezinha foi asqueroso, os parlamentares da oposição cumpriram com altivez sua missão numa tarde-noite em que a opinião pública mostrou fortaleza e o povo livre brilhou.

Flagra do Blog do Foguinho 

O Povo Contra os Amilhados
Entre diretores de escolas e pessoal contratado, aqueles que iriam aplaudir o projeto das 221 vagas chegaram cedo. Já antes das 15 horas, diretores de escolas aguardavam a abertura do prédio da câmara sob a sombra de uma figueira da Praça. Foram os primeiros a entrar ocuparam os dois lados das galerias, mas foram logo cercados por estudantes universitários, professores concursados e ativistas em geral. Numérica e moralmente abafados, a participação dos subordinados oficiais só teve relevo com uma ameaça de morte por um deles lançada: “vai morrer e não custa”, gritou um conhecido vigia contratado contra o vereador Eduardo Braga (PT).

Suspeito de Ter Ameaçado Vereador Braga /Blog do William Fernandes  


Vereadores que Votaram Contra Mais Vagas Divulgada em Redes Sociais  

Exaltação Patética
Pela afoiteza, o discurso mais deprimente foi de longe o da vereadora Marcia Gomes (PR). Quando poderia seguir seus pares, se litando ao sim e ao não conforme o acertado com a prefeita ou imitar o tom prudente dos guias Irmão Carlos (PRB) – líder de direito – e Samuel Mistron (PMDB) – líder de fato –, Marcia optou pela fervorosa defesa do projeto e pelo deboche com o povo. Declarou (pasmem!) que cadastro de reserva obrigaria a prefeitura a chamar os excedentes e disse que a luta por mais vagas era ação de poucas pessoas: “esse movimento todo ai é debate de cinco ou seis pessoas em redes sociais, povo mesmo não vi”, afirmou sob vaias.


Contradição Militante
O mais incoerente foi o vereador Manin Lopes (PT), começou reclamando da falta de esclarecimento por parte do executivo com relação ao número de contratados atuais e quanto às reais necessidades e possibilidade de pagamento por parte da prefeitura. Falou que o poder legislativo deveria ficar acima de interesses pessoais, levando a crer que votaria contra ou se absteria. Depois de acompanhar integralmente a base do governo, fechou a conta proferindo a pérola: “mesmo sem a transparência (da prefeitura), meu voto é sim ao projeto”, finalizou o voto e a pretensão de ser o último guardião da ética.

Populares Apoiam Oposição/Foto Foguinho 

Oposição Aclamada
Nonato Baleco (PDT) foi o magistrado que a sessão histórica exigia. Missicley Araújo (PR) firme e em sintonia com sua classe de professora. Eduardo Sá (PRTB) fez o melhor discurso de seu mandato até aqui. Eduardo Braga (PT) defendeu com inteligência seu ponto de vista, foi o mais hostilizado pelos governistas e, sem aceitar provocações, em todo tempo pedia acordo pela retirada do projeto e pela ampliação das vagas. Resultado: foram aplaudidos pelos atores principais do espetáculo, os populares presentes, enquanto os 10 governistas saiam hostilizados.

Belezinha Cara de Poucos Amigos: Foto Adorildo Japa 

A Vitória de Quem Perde
Estampada em matérias de todos os blogs governistas, o olhar distante e o semblante de indisfarçável amargura, a prefeita Belezinha em foto ao lado do secretário Francejane (Educação) era a cara da derrota, a face de quem perdeu a batalha da opinião pública e comprou caro uma aprovação que só lhe acrescenta desgaste.  

Populares Acompanhando à Sessão Debaixo de Chuva 

A Derrota de Quem Ganha

O povo anônimo, agitado e altivo; do cidadão que de ouvidos atentos teve o rádio como testemunha de corações e mentes irradiando esperança e vibrações positivas ao plenário João Batista Barros; do chapadinhense distante, mais um exilado pela falta de emprego, que acompanhou a tudo pela internet; àquele que solitário ou em grupo, debaixo de chuva, se dirigiu ao Palácio Legislativo e ali prenunciou o fim do conformismo: foram estes, senhores, os vitoriosos desta quadra da nossa história.  

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