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sábado, 2 de fevereiro de 2013

O Que Aconteceu Com A “Terra Das Palmeiras” ? Por Fred Ruan

Como não é nenhuma novidade vivemos em um estado que infelizmente lidera as primeiras posições em problemas graves desse país. Altas taxas de trabalho escravo, analfabetismo, miséria e falta de saneamento básico . São dados alarmantes que se arrastam há decadas. Mas é bom sabermos que o MARANHÃO também é um estado riquíssimo em recursos naturais, tem um potencial turístico que também é muito grande e pessoas que só precisam de mais incentivos dentro daquilo que sabem fazer para finalmente começar a alavancar o progresso dessa unidade federativa .


Não quero aqui adotar o escudo de ser anti-Sarney para fazer críticas e mais críticas a esse grupo que domina o nosso estado há quase 5 décadas, quero somente atentar o fato de não sermos tudo que os outros estados são, mostrando simples dados.

O último Censo realizado pelo IBGE em 2010 revelou que mais da metade das pessoas do estado vivem na pobreza e nos mostrou também que das 50 cidades mais pobres do país 32 estão aqui no nosso Maranhão e que na época liderávamos também em trabalho escravo .

Recentemente ouvi de um jovem estudante de Direito da UEMA do campus de Bacabal que me contava da dificuldade que eles encontram para ter acesso a biblioteca, a existência de animais que pastam na área da universidade e até mesmo que alunos estavam se organizando para climatizar a sala de aula . A dúvida que fica é:

Por quê um estado tão rico ocupa as últimas posições no Brasil?

Por que mais da metade vivem em pobreza?

O que causa essa inércia no poder público que deveria promover o desenvolvimento através da educação e do trabalho?

Por que esse descaso com a pessoa humana?

Acredito que, infelizmente, as motivações estão equivocadas, e eu lhe dou exemplos:

A governadora Roseana Sarney vai investir 4 milhões de reais em 4 dias de folia na cidade de São Luís (1 milhão por dia) e ao mesmo tempo vai oferecer 900 reais (mensais) para um profissional de nível superior lecionar aulas para indígenas, o governo do estado recentemente adquiriu junto ao BNDES empréstimos que somados chegam a casa dos 5 BILHÕES de reais(um endividamento absurdo que vai demorar anos para ser quitado) para “investir” em programas do governo que carregam o nome de Viva Maranhão.

E você olha para todos os lados, e o que você observa? (…)

O poder que deveria avançar na qualidade do ensino e na geração de postos de trabalho cada vez mais retrocede, os valores estão invertidos e o governo insiste que tudo vai bem, só que não…

O governo parece viver de propagandas do único canal de televisão que existe aqui (que por sinal é da família Sarney).



Então ...

Tive a oportunidade no ano de 2011 e parte de 2012 trabalhar em um órgão do governo federal que me permitia viajar por áreas que não costumam passar na televisão do povo maranhense. Zona rural de municípios pobres (se a sede é carente, imaginem a zona rural) e pude sentir na pele o sofrimento de quabradeiras de coco, de agricultores e de crianças que sequer tinham pisado um dia em uma escola.

É muito triste quando saímos da nossa zona de conforto e paramos para observar o descaso e as mazelas que as pessoas carregam por culpa de um “sistema” que transforma tudo em lucro para si ou para aliados.

Penso eu que é chegada a hora de parar de ver políticos como estrelas de TV, é chegada a hora de cobrar de forma mais escancarada. As coisas vão acontecendo e eu continuo tendo a certeza de que deram um calote na ética do Maranhão. Aos poucos acabam transformando os serviços públicos em trampolins para quem não conseguiu se eleger a algo, e cargos técnicos são ocupados por siglas partidárias acordadas em troca de apoio, inaugurações de obras que foram custeadas pelo povo através dos impostos viram festas eleitoreiras e o maranhense vai ficando a cada dia refém do “dono do Mar”.

Eu como humilde maranhense que sou quero ver a Terra das Palmeiras valorizada assim como sua gente hospitaleira sendo tratada com respeito e cidadania. Quero ver meu estado não ser mais motivo de piada em outras regiões do Brasil. Tenho consciência de que não vamos conseguir ser um estado forte e livre se continuarmos presos aos cadeados da última oligarquia que sobrevive nesse país.

Lembram que eu falei que não iria usar o fato de ser “anti-Sarney”?

Mas não dá pra falar da pobreza e miséria do Maranhão sem mencionar o senador vitalício.. São fatores que caminham lado a lado. São coisas inseparáveis.

Espero que sigamos o exemplo do Ceará e Bahia que depois de tantas lutas conseguiram se livrar de quem os atrasava e hoje veem um horizonte mais nítido.

Tenho certeza de que o amigo leitor anseia por uma educação decente, por uma saúde de qualidade e por uma juventude que cresce através do ensino valorizado.

A juventude é forte.O povo pode!

Sim, nós podemos!
Fred Ruan
(Acadêmico de Antropologia)

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Um comentário:

  1. Tenho orgulho de ser conterrâneo deste futuro Antropólogo!

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