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terça-feira, 15 de maio de 2012

O CÃO E A LEBRE


"Ainda que a traição agrade, o traidor é sempre odiado." (Miguel de Cervantes) 

Uma lebre, entretida alimentando-se não percebeu a aproximação de um cão de caça. Quando se deu conta do perigo, já era tarde demais. O cão saltou sobre ela, mordeu-a na altura do pescoço, derrubou-a e deitou-se com as patas dianteiras sobre seu corpo, apertando-a firmemente contra o solo. 

Feito isso, começou a mordiscá-la para em seguida lamber-lhe o pêlo sedoso, como se estivesse em êxtase. Fez isso várias vezes, enquanto a pobre lebre, com o coração aos saltos aguardava o desenlace da sua tragédia sem a menor esperança de salvação. Até que, não suportando a angústia, sussurrou: 

- Decida de uma vez o que vai fazer comigo. Pára de me morder, como se eu fosse o seu almoço, ou de me lamber, como se nós dois fôssemos amigos, porque para mim essa indefinição é muito pior do que qualquer outra coisa que possa me acontecer. (Baseado em uma fábula de Esopo) 

A moral da história é que o falso amigo é sempre mais perigoso que o inimigo declarado. Fontes informaram que nossa prefeita lebre vive atualmente essa angústia sem saber quais são os amigos e os inimigos. 

O cão de caça e suplente de deputado (Magno Bacelar) deixou nossa lebre (Danúbia Carneiro) solta na Secretaria de Ação Social e hoje, processos permeiam toda sua passagem pelo órgão e talvez impossibilite sua pretensão de uma sobrevida na prefeitura. 

Será que isso já havia sido planejado pelo astuto suplente? A inviabilização da candidatura da distraída lebre deixaria o caminho livre para ele sem que este ficasse longe da maciez do pêlo da vítima ou que fosse responsabilizado pela morte política da lebre, tendo que arcar com a ira leporina. 

Entre afagos e mordidas, nossa prefeita lebre angustia-se com o passar das horas. Seria os afagos o prenúncio da mordida fatal? Em quem confiar? A paranóia está instalada... 

Dr. Ernani Maia 
(Cirurgião-Dentista) 

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