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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

O desabafo da professora JANE




Prof. Janislene
Num de seus sambas, Paulinho da Viola narra a trajetória de um malandro do morro, Chico Brito. Na canção ele é malandro sim, vive no crime e é preso a toda hora. Paulinho, porém, não atribui a condição a uma falha de caráter. Chico era, em princípio, tão bom como qualquer outra pessoa, mas o “sistema” não lhe deixara outra oportunidade de sobrevivência que não a marginalidade. O último verso diz tudo: “ a culpa é da sociedade que o transformou”. Já em outra canção, bem mais conhecida, Geraldo Vandré da um recado com sentido oposto: “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.

"Somos nós que fazemos a hora? O que afinal o “sistema” nos obriga a fazer em nossas vidas? Qual o tamanho da nossa liberdade?"
Toscano, Moema. Vozes, 2002.

O que falar então da luta permanente dos profissionais do Magistério por reconhecimento respeito e melhores salários? Salário esse que nos obriga usar sempre do bom e velho “jeitinho brasileiro” para garantir nossa sobrevivência.

O Ministério da Educação investe milhares de reais em propagandas. Uma delas diz: “Seja professor!” A outra: “A base de toda conquista é um bom professor!”




Servidores em passeata
Até concordo que o MEC tem feito várias ações visando a valorização do magistério e a melhoria das condições de trabalho dos profissionais que atuam nessa área. O descaso a maioria das vezes tem vindo da base da pirâmide política, algumas prefeituras tentam ficar com dinheiro extra do FUNDEB. (veja detalhes clicando aqui).

Em várias cidades os profissionais da educação estão sendo marginalizados por aqueles que deveriam garantir que seus direitos fossem respeitados. E estão sendo obrigados a deixarem suas respectivas salas de aula para irem as ruas e aos sindicatos tentar garantir o que os então administradores de suas cidades foram eleitos para fazer e zelar pela valorização dos servidores Públicos municipais e o cumprimento do Plano de Cargos e carreiras.

Em Chapadinha infelizmente a realidade não é diferente de muitos municípios que ao redor do Brasil, travam lutas para garantir o respeito para os professores. Vimos o depoimento da professora Amanda Gurgel que silenciou os parlamentares em plena audiência pública no Rio grande do Norte e que repercutiu nacionalmente. Ela resumidamente relatou a dura realidade que os professores enfrentam diariamente.

A administração de nossa cidade promoveu no dia 29/05/2011 uma festa em praça pública uma grandiosa festa com participação da Banda de forró Calcinha Preta, uma vasta distribuição de prêmios valiosos e inclusive distribuição de calcinhas pretas. Uma festa "Nota 10"!




Servidores em passeata
Em contra partida no dia 31/05/2011 houve uma passeata pacífica promovida pela categoria dos Servidores públicos Municipais de Chapadinha-Ma em comemoração a vitória da chapa 02 “IMPACTO” no dia 15 de maio deste ano. Na oportunidade os profissionais da educação reivindicaram o pagamento do abono salarial referente a sobras de recursos de 2010 do FUNDEB no valor de R$ 1.981.610,25 (quase dois milhões de reais). Dinheiro esse que, segundo o SINDCHAP, o MEC depositou na conta Prefeitura Municipal de Chapadinha dia 29/04/2011. 60% desse recurso financeiro é destinado, por lei, aos professores. (fonte: Banco do Brasil)

Praticamente quase todos os municípios circunvizinho de Chapadinha-Ma e de todo o Brasil já repassaram os 60% do saldo remanescente do FUNDEB/2010. Será que ficaremos de braços cruzados esperando a boa vontade de nossa prefeita ? JAMAIS !!!!

Como justificar o dinheiro a pouco mais de um mês na conta ? O que impede nossa então administradora de repassar esse recurso a quem ele de fato se destina, fazendo-se assim cumprir a lei?

O que devemos pensar de uma Administração que promove uma festa nota 10 e dois dias depois a categoria dos educadores saem às ruas para reivindicar o que já deveria ter sido repassado?

Não seria melhor senhores administradores, cumprir o que diz a lei para que os educadores pudessem enfim se sentirem motivados a continuar em sala de aula onde é o seu lugar de honra evitando greves?

Quanto o MEC economizaria em propagandas se os direitos desses profissionais fossem respeitados?

E o que seria de nós se não fosse a internet?




Servidores em passeata
Enquanto alguns Jornalistas lutam pela liberdade de imprensa, em Chapadinha os jornalistas, em sua grande maioria, não dão voz nem vez aos educadores. E foi possível constatar isso durante nossa manifestação onde não houve cobertura da mídia local.

A imprensa local noticiou com pompa a festa antes e depois de sua realização mas não divulga a realidade de descaso e abandono em que se encontram não só a educação, mas também a saúde de Chapadinha, que está doente.

Contamos com o Poder Judiciário na certeza que esta luta será vitoriosa.

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2 comentários:

  1. Cara Professora Jane,
    Sem dúvida você é a melhor revelação de Chapadinha nesses últimos meses,suas palavras ecoam mais longe que imaginas.O Professor formador é que estuda sempre e contribui com os debates de todas as políticas públicas.Continue e você não está sozinha nessa luta.

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  2. Muito obrigada Allaine, suas palavras me emocionam e me animam a continua nessa luta tão árdua.
    É o apoio de pessoas como você que fazem tudo isso valer a pena.
    Abraços!

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